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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

O porquê de achar que os meus dois filhos "têm" que andar na mesma escola...

Quantas vezes digo , principalmente aos mais próximos, que não se ofendam se lhes escrever um mail ( ou uma carta em tempos idos), em vez de lhes ligar a falar cheia de intenções mas a ser interrompida com perguntas que me acabam por desfocar o cerne da questão, confundindo o pensamento. É-me mais facil expor a mim, e aos outros "ouvir" o que escrevo. Principalmente se o tema for sério. E este, é.

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Este texto, talvez as tenha (a essas pessoas do meu núcleo e que muitas vezes me levam pouco a sério, talvez pela proximidade que me têm...) como leitores finais (as voltas que uma pessoa tem de dar para ser levada a sério lol), mas também anseia na vontade de que ajude outras mães, outras famílias que passem pelo mesmo (aparentemente fácil de resolver ) dilema que concerne como desejamos  efetivamente que o nossos filhos sejam educados e principalmente sob que princípios. A  pedagogia das escolas pode mesmo moldar as personalidades dos pimpolhos,  mais do que as próprias famílias ( não nos esqueçamos que eles passam no mínimo 8 horas, no recinto escolar).

  

Ora bem, escolhi uma escola que considero "especial" para o meu filho, um bocadinho e maravilhosamente "out of the box". Fi-lo, agora na sua entrada, há uns meses na primária e não podia estar mais feliz com a dita resolução. Respeito todas as escolhas, ou quase todas, porque as que de que "dá mais jeito" não pegam, pelo menos para mim. Porque ser mãe de alma e coração é isso mesmo, desviar rotinas, acordar mais cedo, fazer mais quilómetros e escolhas conscientes de onde se vai gastar menos dinheiro ( a minha vénia de coração apertado para quem, mesmo querendo não tem mais por onde esticar os ordenados e isso sim, é tão triste...) para gastar mais na mensalidade da escola dos miúdos ou no gasóleo que se gasta até lá. 

 

Conheço todo o tipo de mães e de famílias, desde as desplicentes em que o que interessa é a comodidade pura e dura ( a escola é a dois passos de casa e tem ATL até as 19h? Bora! É isso mesmo!..), aquelas que acreditam que o ensino público é o que melhor prepara para a "vida real" (eu andei em públicos e considero ter sido efetivamente bem formada, mas é "à sorte"... tanto pode correr muito bem, como muito mal), passando pelas "elitistas" dos colégios de renome ( para mim cheios de regras , castigos e quadros de honra que considero desnecessários) em que "quanto mais caro melhor" e ainda.... as mais "alternativas" para quem o ensino mais "livre" é o melhor para o crescimento da criança ( mas que, na minha opinião de "tao perfeitos" acabam por formar crianças desadaptadas da sociedade em que vivemos).

 

Para mim, nenhuma das situações anteriores era a que procurava, confesso. Sublinho que respeito quem tome determinada opção por acreditar que está a fazer o melhor pelos seus filhos, no entanto, olhando para a personalidade do meu filho em particular, para as suas questões colocadas ao mundo, para a sua forma de estar: criativa, artística e pouco comum para um menino da sua idade, pensei  e repensei no tipo de pessoa que quero que ele se vá tornando. Percebi que as pessoas ( professores e outros alunos) que o irão rodear, especialmente nestes 4 anos de escolaridade básica, irão ter uma influência extrema no adulto, nas ideias, nos comportamentos e na forma como se vai posicionar, olhar e principalmente intervir no mundo e a partir daí... a minha direção  e vontade começaram a moldar-se e eu a procurar o que me parecia coerente com esta minha/nossa procura de estar e aprender.

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Escolhi (a algum custo pessoal e financeiro - qualidade de vida- que muitos conhecem) aquela que achei ser "A" escola. Uma escola privada mas com uma filosofia tão interessante e afastada da maiorida daquelas que eu acho serem mais "fogo de vista" e "fama" do que outra coisa. A pedagogia que escolhi para ele ( e.. ja lá vamos, também desejo para ela, por razões diferentes,mas no fundo tão iguais...)  tem por base o Movimento da Escola Moderna , adaptando-a, no entanto, à essência e o respeito pela individualidade de cada criança e a sua ação interventora no mundo que a rodeia ...

 

Por exemplo, nesta metedologia: os meninos devem adquirir conhecimentos através da experiência vivida (eles próprios fazem os seus livros de estudo e aprendizagem) e não através de manuais escolares iguais para todos, como acontece na maioria das escolas e colégios, devem experimentar para saber, mais tarde que caminho  seguir, sem nada lhes ser formatado... (atenção, que existem regras, sim senhor... mas não, não existem castigos, algo que é uma luta constante da minha parte como mãe, da qual tantas vezes saio frustrada, por saber que a maioria acha que "assim é que se educa", e me criticam por ser " da conversa" e não " da mão firme").

 

A educação vai resultar da interacção indivíduo-ambiente e é aí que a escola é tão importante. Entendem?



Sabemos que numa sociedade em mudança como aquela em que vivemos, a simples transmissão de conhecimentos é  já insuficiente.A criança precisa de desenvolver plenamente a sua capacidade de iniciativa, de criação, de pesquisa, de solidariedade. Só assim ele poderá ser capaz de se adaptar, de intervir e também de transformar. E é esta ação educativa, que a ser bem conseguida, dará, mais tarde, ao adulto a possibilidade de se auto-realizar e simultaneamente de formar uma consciência social atuante. Sim.. atura.. naõ ser mero espetador e crítico...  que disso já há demais...

 

E sim... 4 meses passados... sinto que acertei na mouche! O Afonso ama ir para a escola, os seus colegas têm interesses um pouco mais abrangentes do que " os desenhos animados, as marcas, as tecnologias", existe uma cumplicidade muito gira entre encarregados de educação, a escola tem relativamente poucos miúdos e é super familiar, os pais não são de todo endinheirados ( vêem-se tantos a levar os miúdos em carros de 1990 lol... o que me faz sublinhar, mais uma vez que as prioridades são diferentes nas famílias que preferem investir na educação ou investir na aparência..) e... toda a "diferente pedagogia" que é veiculada com a minha alma de mãe na perfeição. Quem me dera a mim, pequena Ritinha solitária (fui filha única até aos 15 anos) e criativa ter andado numa escola assim. Existem ateliers de expressão dramática, plástica, ginastica desportiva, dança, piano, yoga, modelagem, culinária, leitura... um mundo a ser explorado, que a mim, quem me dera, ter tido assim acesso em tão tenra idade.

 

Vamos agora ao essencial deste texto (ou não, porque para mim, explicar que o que acredito e desejo para a preparação emocinal e intelectual dos mues filhos é tão importante que se me cola às principais decisões de vida, é essencial também.): A Matilde, que está ainda na pré-primária mas que eu quero tanto, já para o ano inscrever no mesmo espaço com o irmão e que parece estar a ser dificil de aceitar por quem me rodeia. Oiço opinições como : " mas vais para tão longe", "ela não está bem aqui?", "vais pagar mais do dobro, faz sentido?", " e ainda fazer as refeições e a marmita?", "ela não podia ir para um público!?" "... "e para o colégio católico onde já andou grande parte da família!?..."

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Ora bem, mesmo podendo e tendo argumento pronto para cada uma das questões acima colocadas ... a preocupação central é antes esta: Os meus filhos e a sua vivência em família e como irmão é demasiado importante, para que crescam por caminhos separados, por direções opostas, por pedagogias distintas, com princípios e valores que não são os mesmos. Se um estiver numa escola que se centra na comunicação e individualidade e outra numa que se pauta pela competitividade e que acredita que "fazermo-nos ao mundo" é ser duro e concorrêncial... se de um lado não existirem castigos mas sim responsabilização dos atos e do outro, existirem duros  corretivos e reepreensões... que irmãos estou a criar? Que pessoas tão diferentes serão eles? Mais ainda.. que mãe seria eu, ao permitir que um filho crescesse "assim" e outro crescesse "assado"? Será assim tão dificil de entender?...

 

Sim, as crianças são diferentes e uns " precisam de uma coisa e outros de outra", mas aqui entre nós, sejas criativo ou assertivo, tenhas aptidão para as artes ou para os negócios, sejas um miúdo tranquilo ou um miúdo mal comportado... não será que numa forma de educar onde a tal individualidade a sua aceitação é o essencial, o mais importante, ao invés de existirem regras iguais para todos seja brutal para minimizar diferenças? Já em casa fujo disso e tantas vezes mal interpretada... quanto mais na escola. Se um se porta mal, não têm ambos que ser repreendidos, não senhora...tal como quando um faz algo merecedor de elogio, não se vai elogiar os dois "só porque sim"... 

 

A verdade é que quando se cresce para lados diferentes é, depois, muito difícil recuperar a empatia e sintonia. E é isto que eu quero estimular., "oferecer-lhes". E é por isso que, sim, quero a Matilde Estrela a acompanhar o Afonso Luz na pedagodia em que acredito, pois  ao perceber o quanto a pode ajudar a gerir as suas frustações e raivas (as famosas birras da menina) sei que só a estou, também eu a ajudar. Quero amá-los de forma igual, quero "esforçar-me" por ambos de forma igual, quero sentir que as suas rotinas de aprendizagem são linguagem que ambs reconhecem e mais.... quero que eles ( também pela ajuda dos valores e forma de estar que escolhi para ambos, na escola onde estarão os anos mais importantes da sua vida) crescam a ser os Seres Humanos que sonhei e saber, que do meu lado, tudo fiz para que isso acontecesse ( depois... fica do lado deles... mas a Mãe deu o seu melhor, não deixando no "deixa andar", ou " dá mais jeito" a mão do futuro de ambos os manos, que mesmo ao serem tão diferentes podem e devem ter os mesmos valores).

 

Termino este texto, dizendo que esta é a explicação de um coração ( e também de uma cabeça) de Mãe plena e que respira os seus filhos. Que  esta não é necessáriamente "A" verdade e que cada decisão familiar terá a sua razão e história, mas que esta  é a "Minha" verdade. E que, ao menos agora, me consigam entender não achando que  ter a Matita no mesmo colégio do Afonso é um capricho,  só "porque sim", mas é, para os meus filhos, essencial para um futuro em comum e para que se desenvolvam e amadureçam como seres humanos, olhando para a mesma direção e não em direções opostas.

 

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E pronto, minha gente, cansada de não me ouvirem e entenderem, será que ao lerem, já o conseguem fazer?... Acredito que depois da melhor prenda que ofereci um ao outro, que foi... a presença de um irmão para a vida ( ser filho único na infância... sucks;))... esta é a segunda melhor prenda que lhes posso oferecer, enquanto família: a mesma "escola" ( fisica, pedagógica e simbólicamente falando), o mesmo direito à existência, o mesmo crescer ...

Só eu é que sei....

Ontem à noite:  

 

"...A acabar o dia totalmente dedicado a ti, Matilde Estrela, completamente exausta. Das tuas birras, das tuas exigências, das vergonhas que me fazes passar em publico, das tuas más ondas, dos teus gritos. Mas... Completamente grata, pelos momentos de mimo, de brincadeira, de sintonia e de amor...

 

Sei que és muito difícil e que o trabalho que contigo terei pela frente, vai ser duro, mas tenho a certeza de que nunca te abandonarei na ajuda de te encontrares no caminho certo e de encontrares a tranquilidade que te falta ainda agora. És a personalidade forte da tempestade mas também o doce conforto das nuvens fofinhas.

 

Amo te. E estou aqui sempre... Mesmo que me afastes, que digas que não gostas de mim ou que "a culpa é minha" nem sei bem já do quê...

 

Eu sei, meu bem..eu sei que um dia mais tarde, estes dias e historias difíceis serão piada entre nós, enquanto a amizade entre mãe e filha for a nossa cumplicidade do dia a dia certo, amor meu!? Certo...?... Ai como desejo que chegue essa época...

 

-Fotos tiradas hj no #bounce ( foi o possível, já que não quis tirar fotos comigo..), no #aniversariodocanalbigs... Entre gritos, amuos e vergonhaças e tentativas de mãe mostrar em público uma calma e normalidade, que no fundo, ao fim de muitas horas "disto" já não o eram nada...-

 

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Dia escolar da Não-Violência e da Paz

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Hoje vou ser previsível ao escrever de uma efeméride mas hoje acordei mesmo sensibilizada para o tema: Pode parecer clichet mas é demais  e efetivamente importante para os nossos filhotes e para todaa nós, mamãs preocupadas que temos que estar descansadas quando deixamos os nossos tesourinhos na escola. E são tantas (demais) horas em eles ;(...

 

Celebra-se o dia escolar da não violência e da paz, contra o chamado bulling, é um dia muito importante e que deve ser lembrado aos nossos  

filhotes para que estejam atentos, se saibam"defender". sejam alvo de gozo e fisicalidade agressiva.. nem o exerçam nos outros. Para que haja sempre paz e harmania nas escolas. E olhe que isto não é "conversa da treta". Só assim, falando do que muitos silenciam conseguiremos (espero eu) que esta geração deles seja mais respeitadora e amiga. E olhem que não é tarefa fácil, por mais que nós mesmas sejamos fieis seguidoras e "particantes" do que consideramos ser os princípios corretos.

 

A verdade é que as crianças conseguem ser o melhor do mundo mas também "o pior". E são muito levados "em carneirada". Se outro faz eu também vou fazer e depois... algumas vezes os resultados podem ser desastrosos...A sua honestitade e genuídade pode fazer delas tão mázinhas umas para as outras e mesmoe atitudes aparentemente simples de discriminação, pequenos ódios, egoísmos... são sinais que nós  mães, educadoras, temos que estar atentas e desde cedo, tentar explicar-lhes o "porque não"... não só o "porque sim" que nos apetetece sempre... porque são nossos filhos...

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Infelizmente o bulling é muito praticado nas escolas e muitas vezes causa traumas graves às crianças, sim está na moda falar dele, porque sim... também cada vez mais os miúdos se acham capazes de tudo! E até gozar ou maltratar outros pode parecer normal e fazê-los até "populares".. Que realidade subvertida, não é?  Que triste é imaginar imaginar isso
e pior ainda é pensar que alguém pode cometer um erro desses com os nossos pequenotes. Nunca ninguém está livre...as crianças podem pegar com  tudo. Com a tua raça, a tua timidez, a tua família, a tua roupa, a tua postura, o teu bairro,os teus brinquedos...

 

Este dia, é mais do que um no calendário. É um  que dia nobre muito nobre que pode e deve ser visto de forma global (basta olhar para os vários cantos dp mundo e ficar deprimida) mas também pode assim, "começar em casa" e nos nossos. Com pequenas histórias (a hora de ir para a cama, aqui em casa é pródiga nisso, invento muitas histórias com fundos éticos e morais, muitas vezes disfarçados na brincadeira mas que vão ficando...), nos comentários leves mas certeiros às histórias que me vêm no telejornal ou nos programas da manhã ou da tarde, cad vez mais carregados de reportagens e situações tristes e desesperantes... Sim. tenho cuidado no que vêm, mas quantas vezes não estamos à espera e as situações nos entram casa adentro e saltam as perguntas ou os ares intrigados, interessados, fachinados, incomodados... não há como fingir que "isso" não se passa no mundo. Mas há que ter tato, tanto tanto... E assim, com estes pequenos gestos, pode começar a "formatação positiva" de uma nova forma de pensar, de um novo ser que se está a formar no mundo... dos nossos pequenos filhos, que ainda tanto têm para aprender e estruturar, definindo padrões de "normalidade" nas suas cabeças. E a "normalidade" é a Paz e não o contrário...

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A celebração do dia de hoje, surgiu por uma iniciativa de um poeta, pedagogo e pacifista espanhol, Llorenço Vida, e não foi ao acaso que se escolheu o dia de hoje para festejar a paz e não-violência nas escolas, foi por ser o dia onde um dos maiores defensores da paz foi assassinado. Já viram que ironia estúpida??

 

Foi em 1964 que este dia é foi "escolhido" para sensibilizar as crianças e as pessoas para a tolerância, a solidariedade e o respeito pelos outros.


E nada melhor que isso começar na escola onde os nossos filhotes estão a aprender e a crescer com valores e com sentimentos de solidariedade e justiça entre todos. Mas também, em casa, claro, porque daí vêm as bases para todo o resto da sua vida. 

 

Por favor não fechemos os olhos por uma questão de preguiça ou conveniência. Por favor, não dos demitamos do papel de orientadores. por favor, usemos a palavra PAZ como bandeira de um mundo melhor. Por favor, sejamos atendos!

 

Ajudar a incutir os melhores valores nos miudos e quem sabe até nos graudos (ui.. tarefa mais difícil.. mas não impossível), e  usemos o  dia de hoje como estandarte para que seja assim no resto dos dias do ano boa!? Basta sermos o exemplo ;)

 

 

 

 

 

Haja pachorra!

               

Hoje quero falar-vos de algo que já ando para abordar há uns largos meses. As birras. O mau génio. Os caprichos. Uff... a loucura que às vezes, é para as Mães e Pais  para gerir estas fases (sim, esperamos sempre que sejam fases).

 

Acho que, no fundo, não o tinho feito ainda, porque como não é um tema lá muito feliz e que como me tem feito a "cabeça em água", tinha quase a sensação de que se não o exteriorizasse aqui... a questão desapareceria assim como por magia...Pronto tinham sido uns "episódios e tal e agora já estava tudo ok de novo.

 

Mas, pronto, cá estou eu, porque.. passados uns bons mesinhos da personalidade vincada e "tortinha" da Matilde Estrela se ter começado a desenvolver ...  consigo escrever finalmente sobre a questão... mas porque até aqui não tinha muito o que dizer a não ser que andava desesperada com ela. Agora faço-o, porque estou mais calma e calejada com o assunto.. Que remédio lol...

 

Com todo este discurso aqui exposto, até parece que estou a criar um ser perigoso, monstruoso, impossívelde aturar.. nada disso tadinha, não exageremos, ok?...Mas que às vezes não há paciência... não há mesmo..

 

O que se passa então aqui por casa e imagino que em tantas outras? Tenho como filha uma princesa linda de quase 2 anos, querida, meiguinha, espertalhona.. mas muito teimosa, exigente para com os pais, ciúmenta com o irmão, cheia de amuos e... caprichosa até à última. E gerir isso, como é, como tem sido? Esta é a questão que trago hoje. Aliás, a que tenho levantado estes últimos meses e tentando como posso, gerir da melhor maneira. Principalmente por ser uma "novidade" nestas bandas. O irmão, claro que não é um santo, longe disso (e agora a entrar nos 4 anos está na idade dos "porquês" e dos "nãos"... ui ui), mas mesmo assim, nunca foi nem metade do "birras" que ela é. E por isso que tudo isto tem sido novo nesta família.

 

Antes de escrever este texto, pensei bastante em como fazê-lo, até porque ao longo deste tempo, já falei com amigas psicólogas infantis, já li uma série de literatura (uma mais idónea que outra) e  acabei por passar os olhos por uns quantos textos "pi-pis" e muito facilitistas em blogs e publicações on-line ligados à maternidade que,se numa primeira fase me encantaram ,depois me deixaram os nervos ainda mais em franja...

               

Textos que têm títulos como "as 15 maneiras de lidar com as birras deles", "Truques para lidar com crianças difíceis", " A psicologia dos ataques de choro", "crianças manipuladoras".. Grrr... só me confundiam ainda mais. E sabem porquê? Porque estas bloggers, estes jornalistas, estes doutores... parece que são detentores de receitas mágicas que se podem resumir nuns quantos ítens, agrupar dentro de um número certo de carateres, e depois de lê-los, a sensação com que ficava era a de que, ao tentar colocar alguns em prática... e mesmo assim falhando, muitas das vezes.. ao invès de me sentir melhor, acontecia o oposto. Acabava por sentir um enorme fracasso.. e, claro está... um cansaço cada vez maior e maior. Então se é assim tão "fácil", se tudo cabe num artigo ou numa ou duas páginas, então se eu tento fazer tudo certo certinho, porque raio não funciona cá em casa? Porque continua ela a gritar, a acordar durante a noite e a chorar durante 1 hora e meia e nos leva ao todos os pontos da casa para tentar perceber o que quer, a não obedecer quando lhe peço que apanhe algo ou que me dê algo, ou que largue algo..

 

Vai daí, que o que me apeteceu escrever não foi nada disso.Dar dicas ou conselhos não era para mim. Até porque também eu os procurei (e procuro), porque cada criança é uma criança, tem uma história, uma família, regras diferentes. Que me desculpem-me os pediatras e pedagogos, mas o que me dizem a mim como Mãe não deve ser dito à Joana, à Patrícia, à Mariana, à Andreia... que também têm passado noites sem dormir, que têm levado cuspidelas, beliscões ou palmadas dos seus bebés (apesar de lhes tentar transmitir que "não se bate"), que tentam educar da melhor maneira as suas crias e que mesmo assim ouvem gente a comentar entredentes na caixa dp supermercado: "Que mal educada é esta criança.." enquanto o nosso rebento espereneia e se atira para o chão porque quer agarrar nas bolachas de chocolate que a mãe não deixa, porque já comeu doces demais nesse dia...

                

O que me apeteceu escrever, então, foi uma espécie de texto de partilha e comunhão. Sim, é isso mesmo, um texto que ajudasse a apaziguar as Mães que como eu, e dentro das suas limitações (sim, porque por melhores que queiramos ser, todas cometemos erros, temos dias menos bons e... não, não somos nem temos que ser perfeitas), tentam fazer tudo certo para que os seus filhos sejam felizes,  contentes com a própria existência, entusiastas com a vida e... calminhos e educados... Para já, há que pensar que como "o nosso" há muitos, depois que "poder ser uma fase" e por fim que a forma de lidar e "levar" cada bebé ou miúdo a fazer o que queremos, não se pode generalizar. 

 

Enquanto para um, um berro de autoridade pode funcionar, para outro, ainda o pode colocar mais nervoso, no meio de uma birra. Por outro lado, há crianças que precisam de entender os "porquês" e necessitam que conversemos com elas, outras são exatamente o oposto, quanto mais falamos "na boa", mais parece que  gozam connosco e nos querem testar até ao limite... Enfim... o que interessa aqui, é que cada caso é um caso. Ajuda partilhar experiências, sim senhora... ajuda e conforta, conseguirmos falar com Mamãs que também têm um "birrinhas" em casa, para que não sintamos coisas como:  " que vergonha... os outros não são assim...". São sim! Muitos são assim.. e  não adianta invadir o nosso espírito preocupado com imagens de Mães, casas e filhos perfeitos, que não sujam, que não desarrumam, que não gritam, ideias que nos são transmitidas nesses tais textos "chapa 5" cheios de dicas infalíveis para que os nossos filhos se comportem de vez.. Isso  nunca vai existir, minhas amigas aiiiiiii.. e sabem porquê? Porque acaba uma fase... e começa outra... E pimba, lá vamos nós de novo!!

               

Durante estes "longos" 4 anos, desde o meu nascimento como Mãe (altura em que o Afonso veio ao mundo)... este meu convívio intenso com estes dois maravilhosos Seres que são os meus filhos, tem-me ensinado que como estas pequenas criaturas, ao partilhar da minha vida de uma maneira tão completa, me fizeram evoluir e mudar de opiniões a cada mês que passava (aquele pensamento clichet: "ai e tal...  o meu filho há de  ver tv às refeições!!" Está bem está...ou.. "Nunca entendi as mães que dizem  ficar e aliviadas quando eles forem  vão fazer ó-ó..." Entendo e bm ;)).

 

Desde que os "dramas Matildenos" começaram e depois de esgotadas muitas estratégias ca´em casa, ouvidas mil (e irritantes) opiniões.. finalmente tenho sentido mudanças positivas no seu comportamento. Já percebi que ela é "torta" por natureza, como boa Escorpião que é... mas sinto-a muito menos exigente, mal criada... parva, portanto ;)

 

E porquê? Pois, a questão é essa... não existem bem "porquês" nem "comos". A única forma de lidar com isto sem flipar, tem sido ser paciente, insistente, compreensiva, equilibrada.... mesmo quando me apetece a mim.... desquilibrar e passar-me. Atenção que quando falo de ter pacência e compreensão, nada invalida uma voz autoritária ou uma palmada de vez em quando... refiro-me mais à calma como nós, Mães, nos vamos apercebendo que só conhecendo e estando muito atenta à criança,  aos seus hábitos, receios e personalidade  os conseguimos "levar"... Ah, e com o ascréscimo de que temos que ter a noção que de um dia para a noite "tudo pode mudar", todas as reações e formas de estar, podem parecer as de outro bebé... pelo menos comigo tem sido assim. Um dia algo a incomoda e grita até mais não, outro dia a mesmo situação será vivida na boa e sem grandes dramas...E pronto... lá temos nós, "mães à beira de um ataque de nervos" que nos adaptar e tentar perceber o que às vezes nem é bem para ser compreendido...

 

Tenho a sorte de ter dois filhos saudáveis, lindos e bem rodeados e de viver com a possibilidade de lhes oferecer umas simpáticas condições de vida. Por isso, agora o resto do "livro" irá ser  escrito baseado na história do meu apoio no seu caminho, dentro deste contexto positivo, e na forma  como eles, os meus filhos, encontraram para se tornarem Pessoas, não só Gente.. 

               

No fundo, percebem onde quero chegar? As birras podem efetivamente ser um filme, podem sim senhora (e eu que o diga que quando vivo estes momentos tensos quase me passo por dentro) mas por favor Mãessss... não matem a cabeça com culpabilizações, com clichets, com opiniões de Avós, Tias, amigas com filhos direitinhos, limpinhos e bem educadinhos de capa de revista (sabem que muitas vezes, nem mesmo as amigas mais próximas nos contam as más educações doa filhos quando lhes perguntamos...parece que cai mal)...

 

Vivam um dia de cada vez, tentem perceber as "vossas" razões e ir atuando de acordo com elas (falta de atenção, má energia à volta da criança, ciúmes, medos, pura personalidade), ter estofo para aturar (Ser Mãe é isso mesmo lol) e minimizar as situações. Eu, por exemplo, cada vez mais sinto que quanto menos importância dou às birras, menos ela as vai fazendo...

 

Beijos a todas e Mães e Pais com filhos birrentos mas que vocês amam como ninguém. E votos de pachorra, pachorra e mais... pachorra. No fundo e para resumir isto tudo, acho que a chave  para ultrapassar, conseguir educar e fazer crescer filhos porreiros são estes 3 pontos. E chega. Não acham?

As trelas usadas para "educar" as crianças


Estávamos num jantar com várias mães e o tema foi abordado.

Uma delas tinha vivido em Londres e achava muito normal. Outra, uma das minhas melhores amigas, que sempre tive como uma autêntica alma livre e que tem na educação aberta do filho único ( hoje com 18 anos) uma bandeira, contou que, mal ele completou dois anos ela lhe comprou "uma" e que "foi a melhor coisa que fez", porque a deixava descansada sem ter que correr atrás dele... Estranhei. Aceitei a opinião, claro mas estranhei muito. Não discuti, não argumentei muito. Fiquei a pensar no assunto e agora, assertivamente percebi que afinal, me apetece ter uma posição.

Mas falo  de "uma"... "uma" quê?!... Uma Trela. Pois, tal como as dos animais. E sim é isso que me mete confusão. O princípio da coisa, entendem? Não se dá mais ou menos jeito aos pais, se os descansa quando eles querem correr no jardim e eles não os conseguem apanhar, ou evita que os filhos se percam na confusão... Ok, tudo isso pode ser justificativo, mas mesmo assim, não me convence.

As crianças devem ser educadas, não treinadas como os cães. Esses, devem ser acostumados a obedecer ao seu dono, a se vergar, a se submeter - mesmo assim, algo que pode ser discutivel mas no fundo, é assim que a "sociedade do animal de estimação" funciona... A trela, serve também para isso, tanto como símbolo ou como verdadeiro instrumento de controle.

Para mim, as crianças que se adaptarem ao dito ítem terão mais dificuldade em se auto-controlarem e discernirem, quando já não o usarem, porque no fundo, nunca o tiveram que fazer. Os pais, é que puxavam a trela, em vez de os chamarem à atenção ou estarem atentos aos seus movimentos e comportamentos.

A criança tem que ter vontade própria, individualidade, saber fazer escolhas. E para criá-las, existem os pais que as vão encaminhando, ensinando, opinando. Direcionando. E para isso, não há trelas que façam o serviço.

Sei que começa a estar na moda também por cá. Disseram-me que, por exemplo, em Nova York, se vêem milhares destas.  Que é o normal. Mesmo assim, não fico convencida. Nem sempre a normalidade.. é normal, se é que me percebem...

Este é o MEU espaço de opinião, e não recuso que haja quem seja a favor desta estranha forma de disciplina por parte dos pais e educadores. Mas sublinho, na mesma.... que acho coisa hedionda, que tolda estes pequenos seres nos seus movimentos físicos e até psiquicos, porque acredito que a vontade destas "mini-pessoas" deve ser  dirigida e não forçada à obediência. E porque acho, que ao contrário do que possam dizer, este género de "inovação", acaba por ser exatamente o contrário do que apregoam: como os pais se sentem "descansados" achando que os filhos não fogem.... um dia que se esqueçam da trela em casa... pode ser que só encontrem o filho ou a filha quando este parar de brincar até à exaustão e parar de correr quando chegar a Bagdad.

Por melhor ar que dêem à coisa (umas são encorporadas numas mochilas e nuns peluches fofinhos)... a mim continuam a parecer-me uma contradição estranha, sim, porque se " me quiserem roubar" a criança " Maddie Style", não vai ser uma trela usada na ida ao centro comercial que o vai impedir. Se chegarmos a esse tempo, em que o terror e falta de ordem na rua for tão grande ( tipo... mundo depois do Holocausto ou aquelas guerras loucas e sem tino que vemos nos filmes de fição ciêntifica..) aí, sim... talvez mude de opinião. Mas por agora... acho que vivemos ainda numa época em que o quando as crianças assim tratadas crescerem  “e quando se acharem no mundo, para agir por si mesmas, revelarão o fato de que foram treinadas, como os animais, e não educadas. e aí sim, a sua cabeça poderá fugir de si mesmo”...

E pronto... tenho dito.